Milei volta a atacar Lula e reabre crise diplomática entre Argentina e Brasil
Principais pontos
- O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao canal LN+, chamando o brasileiro de "ladrão", "corrupto" e "presidiário", além de repetir acusações de interferência política do governo brasileiro na Argentina.
- As declarações reforçam o discurso adotado por Milei durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e ampliam a tensão diplomática entre os dois países.
- Até o momento, Lula e o governo brasileiro não comentaram as novas declarações.

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer duras críticas ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo, 2, reativando a tensão diplomática entre os dois países. Em entrevista ao canal LN+, o líder argentino voltou a chamar Lula de "ladrão" e "corrupto", além de reiterar a tese de que o governo brasileiro financiou uma campanha de desinformação contra a Argentina.
Durante o programa, Milei foi questionado sobre as declarações feitas no final de julho durante sua participação como convidado de honra da convenção nacional do PL, em São Paulo, no evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
No discurso de cerca de 30 minutos, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”, “ladrão” e “lixo socialista”, associou o kirchnerismo ao projeto do PT e defendeu o avanço de uma “onda azul” na região.
"A pergunta é: eu menti? Ele é um ladrão, é um corrupto. Foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente", declarou o presidente argentino ao canal LN+.
Milei classificou de "espontâneos" os xingamentos direcionados a Lula durante o recente discurso no Brasil. "Chamar um ladrão de ladrão é um ato muito mais leve do que o próprio ato de roubar", afirmou.
Alegações de interferência regional
O mandatário argentino acusou diretamente o governo brasileiro de ingerência política na América Latina. Citando declarações de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Milei afirmou que Lula teria investido cerca de US$ 1 bilhão para atacá-lo politicamente. "Se há alguém que interfere politicamente na região, esse alguém é Lula", sustentou.
Segundo Milei, a alegada "campanha anti-argentina" das últimas semanas foi movida por recursos externos, principalmente vindos de Brasília, para alavancar ataques em redes sociais com o apoio de influenciadores e atores. Ele acrescentou que o financiamento também teria tido origem em outros países:
- 1º lugar: Brasil
- 2º lugar: México
- 3º lugar: Estados Unidos (com destaque para o Partido Democrata)
Reação brasileira
As declarações de Milei em São Paulo no final de julho desencadearam uma crise diplomática que começou com a convocação para consultas do embaixador do Brasil na Argentina, em razão "das ofensas proferidas" pelo presidente argentino. O Brasil também convocou o embaixador argentino para manifestar seu "repúdio" e pedir explicações pelas "agressões" do presidente Milei contra Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que também foi alvo de ofensas por parte do presidente argentino.
Ao longo da semana, a Argentina tentou reduzir a tensão provocada pelo incidente diplomático. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, ressaltou que, da parte de seu governo, não há qualquer possibilidade de romper relações com o país vizinho e principal parceiro comercial. As novas declarações de Milei ainda não foram comentas por Lula ou pelo governo.
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