Haiti marca eleições após uma década, mas votação depende de segurança

Principais pontos

  • Haiti anunciou eleições presidenciais, legislativas e locais para dezembro, as primeiras desde 2016.
  • Calendário eleitoral depende de condições mínimas de segurança e da disponibilidade de recursos financeiros.
  • Violência das gangues e controle de áreas da capital colocam em dúvida a realização da votação.
Policiais fazem ronda urbana no Haiti: eleições no país estão condicionadas a garantias de segurança
Policiais fazem ronda urbana no Haiti: eleições no país estão condicionadas a garantias de segurança
Source: AFP

O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti anunciou nesta segunda-feira, 27, a convocação de eleições presidenciais e legislativas com previsão para dezembro de 2026. Caso seja realizado, o pleito será o primeiro no país em uma década.

No entanto, o próprio órgão eleitoral condicionou a realização das votações à existência de um ambiente de segurança considerado adequado e à garantia dos recursos financeiros necessários.

Segundo decreto divulgado pelo Conselho, o primeiro turno está marcado para 13 de dezembro e será realizado simultaneamente a um referendo sobre propostas de reforma da Constituição do país.

Já o segundo turno das eleições foi agendado para 21 de fevereiro de 2027. A previsão é que os resultados oficiais sejam anunciados em 7 de março do mesmo ano.

Apesar da definição do cronograma, o decreto ressaltou que o calendário eleitoral poderá ser alterado caso não sejam atendidas as condições mínimas de segurança ou haja dificuldades no financiamento do processo.

Sem eleições, Haiti enfrenta crise duradoura

O anúncio representa mais um desafio para o Haiti, que enfrenta uma grave crise política e de segurança. O país não realiza eleições desde 2016 e vive um período de instabilidade agravado após o assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em 2021.

Atualmente, gangues fortemente armadas dominam grandes áreas do território haitiano, incluindo boa parte de Porto Príncipe, capital do país. O avanço desses grupos levanta dúvidas sobre a capacidade das autoridades de garantir a segurança necessária para a realização da votação.

No cenário internacional, a missão de apoio autorizada pelas Nações Unidas foi convertida em uma Força de Supressão às Gangues, com um mandato ampliado para combater as organizações criminosas e tentar restabelecer a ordem no país.

A Caricom (Comunidade do Caribe) recebeu de forma positiva a publicação do calendário eleitoral.

Em nota, o Grupo de Pessoas Eminentes da organização pediu aos países que participam da Força de Supressão às Gangues o envio de reforços "o mais cedo possível", com o objetivo de ampliar a capacidade operacional da missão antes da realização do primeiro turno das eleições.

*Com informações de AFP

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.