Educação é o fator mais associado à ascensão de renda e mobilidade social, mostra Atlas
Principais pontos
- Apenas metade dos filhos (49,94%) de pais agrupados entre os 25% mais pobres da população brasileira têm chance de concluir o Ensino Médio.
- A probabilidade despenca quando se trata da possibilidade de finalizar o Ensino Superior. Somente 1,94% dos filhos de pais que estão entre os 25% mais pobres da população têm a oportunidade de completar os estudos superiores no país.
- Os dados são do levantamento Atlas da Mobilidade Social, divulgado nesta sexta-feira, 31, pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab.

Apenas metade dos filhos (49,94%) de pais agrupados entre os 25% mais pobres da população brasileira têm chance de concluir o Ensino Médio. A probabilidade despenca quando se trata da possibilidade de finalizar o Ensino Superior. Apenas 1,94% dos filhos de pais que estão entre os 25% mais pobres da população têm a oportunidade de completar os estudos superiores no país, mostra o Atlas da Mobilidade Social Brasil, divulgado nesta sexta, 31, pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab.
Os dados gerais revelam a baixa probabilidade de ascensão das camadas mais baixas a uma condição melhor de vida. O recorte educação é o fator mais associado à ascensão de renda. Municípios com melhores indicadores educacionais, como maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e menor distorção idade-série, tendem a apresentar maiores chances de mobilidade ascendente.
"A mobilidade social depende da capacidade de reduzir as desigualdades de origem. O Atlas mostra que políticas educacionais são fundamentais, mas precisam ser acompanhadas de estratégias econômicas capazes de ampliar oportunidades ao longo da vida. Nosso objetivo é oferecer evidências que ajudem gestores públicos a desenhar políticas mais eficazes para promover a ascensão social", destacou o presidente do Imds, Paulo Tafner.
Corte regional
O recorte por região mostra que os filhos de famílias de renda mais baixa do Norte e Nordeste têm menor chance de realizar mobilidade social. A probabilidade de fazer uma ascensão está mais concentrada nas regiões Sul, Sudeste e partes do Centro-Oeste.
O levantamento confirma a reprodução das desvantagens sociais, em que filhos de famílias de renda mais baixa têm maior chance de permanecer no mesmo grupo da distribuição nas regiões do Norte e Nordeste.
Raça
Entre jovens brancos que nasceram em famílias agrupadas entre os 25% mais pobres da distribuição de renda, 36,3% permanecem nesse mesmo grupo quando adultos. Entre os não brancos, essa probabilidade sobe para 51,6%, indicando que a questão racial é ainda mais determinante para esse grupo.
Gênero
O gênero também altera significativamente as possibilidades de mobilidade social. Entre os filhos de pais que estavam entre os 25% mais pobres da população, cerca de um terço dos homens (32,9%) permanece nesse mesmo estrato de renda na vida adulta. Entre as mulheres, a proporção chega a 65,1%.
Essa disparidade aparece também no recorte racial: enquanto 69% das mulheres não brancas continuam entre os 25% mais pobres quando adultas, entre as mulheres brancas esse percentual é menor, de 52,9%.
Sobre o Atlas
O Atlas foi lançado em 2025 apresentando estimativas que se concentravam nos filhos nascidos entre 1983 e 1990 cujos pais estavam situados abaixo da mediana da distribuição nacional de renda. Hoje atualizado, o Atlas mantém esse recorte e acrescenta recortes adicionais por renda dos pais e por coorte de nascimento.
Além da corte de nascimento dos filhos nascidos entre 1983 e 1990, estão agora disponibilizados indicadores de mobilidade para as cortes 1983-1987 e 1988-1990. Em adição ao recorte de renda dos pais abaixo da mediana, estão agora também apresentados indicadores de mobilidade para as seguintes faixas de renda dos pais: até o percentil 25, entre o percentil 26 e o 75, e acima do percentil 75.
O Atlas também passa a incorporar indicadores socioeconômicos municipais, organizados por temas como educação, saúde, economia, gasto público e sociedade. Esses indicadores permitem contextualizar os resultados de mobilidade social observados nos territórios e apoiar análises comparativas entre municípios.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.