Adolescentes seguem usando redes sociais banidas na Austrália, mostra relatório

Principais pontos

  • O banimento de redes sociais para menores de 16 anos na Austrália tem se provado menos efetivo do que o esperado
  • Se antes 86% dos adolescentes utilizavam ao menos uma rede social banida, hoje o número teve uma queda discreta para 81%
  • Novos dados foram divulgados 3 meses após o início das medidas; comissão culpa plataformas
Proibição australiana para adolescentes nas redes tem se mostrado pouco efetiva
Proibição australiana para adolescentes nas redes tem se mostrado pouco efetiva
Source: Depositphotos

Três meses após a implementação, o banimento de redes sociais para menores de 16 anos na Austrália tem se provado menos efetivo do que o esperado.

É o que mostra o mais recente estudo da eSafety, comissão australiana responsável por implementar e avaliar as medidas definidas nas novas leis.

O novo relatório foi elaborado por um painel consultivo global de pesquisadores universitários, e comparou dados coletados de mais de 4 mil crianças e famílias antes e depois da proibição.

Segundo os dados, a maioria das crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos criaram novas contas ou mantiveram suas antigas desde dezembro, quando o banimento entrou em ação. 

Se antes 86% dos adolescentes utilizavam ao menos uma plataforma banida, hoje o número teve uma queda discreta para 81%.

Segundo a própria comissão, as plataformas são as principais culpadas pelo número pouco expressivo, já que relatos mostram que a checagem de idade não está sendo implementada corretamente.

"Embora a eSafety tenha observado algumas melhorias por parte do setor desde a atualização de março sobre a idade mínima para uso de redes sociais, persistem preocupações quanto à conformidade das cinco plataformas citadas naquela ocasião. Uma segunda atualização será publicada nas próximas semanas”, afirmou a comissão em nota.

Brasil no caminho certo?

No início do mês, o GSW Brasil conversou com uma das responsáveis pela articulação e composição do texto do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, Lilian Cintra de Melo.

O estatuto sacramentou as regras do modelo brasileiro para segurança para jovens nas redes. Em vez de proibir, há um foco maior em educação e exigência de designs mais seguros por parte das plataformas. Após analisar o cenário global de maneira aprofundada, Lilian já apostava que o sistema australiano seria pouco efetivo.

"O custo de implementação e fiscalização é muito alto, além de que esses jovens acabam usando métodos para burlar a proibição, como VPN”, explicou na época.

Vale lembrar que a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por fiscalizar as ações dessas plataformas no Brasil, firmou um acordo com a Direção-Geral das Redes de Comunicações, Conteúdos e Tecnologias (DG CONNECT) da Comissão Europeia, para fiscalização e proteção de crianças e adolescentes na internet.

 

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.